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domingo, 17 de novembro de 2013

A Escola dos Avatares

A existência física dos avatares se rege por uma série de premissas fixas, que faz deles aquele padrão único que subjaz esotericamente ao conceito ou “título” mais exaltado no budismo acerca dos Budas, que é aquele de Tathagata, significando “aquele que é como os anteriores.”
A categoria “avatar” representa um sub-reino do Reino Hominal, formado por Altos Iniciados que começaram a sua evolução nos primórdios da constituição da espécie homo sapiens, durante as duas primeiras rondas de evolução, especialmente aqueles que, a certa altura, tomaram a decisão de auxiliar a evolução humana em geral e até do planeta como um todo, possuindo hoje a sétima iniciação em diante.
Inicialmente, vale dizer que, aos Budas e Avatares, se estende aquilo que Helena P. Blavatsky afirmou a respeito dos Adeptos, ou seja, “um Adepto não nasce pronto, mas se faz a si mesmo”. Um Mestre não nasce simplesmente como tal (donde o risco de tradições como a dos tulkus), mas deve atravessar todas as iniciações em cada nova reencarnação, apesar dele trazer “de outras vidas” o germe da experiência e da aspiração que lhe possibilita o máximo de aproveitamento na Escola terrena da Luz.
Mas, a rigor –e este é o verdadeiro sentido da frase de HPB, como também assevera Alice A. Bailey-, um Adepto se faz a si mesmo num sentido muito amplo e profundo, pois o trabalho de um Mestre passa por todo um esforço de auto-reconstrução (ou auto-recriação) de veículos após a grave crise de enfrentamento da morte e destruição dos seus corpos na quarta iniciação (também conhecida como “a crucificação espiritual”), prova da qual o iniciado ressurge das cinzas como a fênix graças à iluminação que ali alcança até para sobreviver, daí o fogo simbólico deste mito e também o acróstico hermético INRI pregado na cruz do Cristo, que significa igne natura renovatur integra, ou “a natureza se renova através do fogo”. Esta é a origem dos mitos dos deuses auto-gerados como Min ou “sem pai nem mãe” como Melquisedec.
Para tudo isto chegar a ser possível, uma das grandes características dos avatares é aquela do máximo aproveitamento do tempo vital da vida humana, visando utilizar as melhores forças da juventude para investir no fortalecimento do organismo e no cultivo do espírito, a fim de que possa enfrentar um dia aquelas graves provações com chances de sobreviver, já que a maioria dos homens ainda perece antes esta situação por não haverem realizado um treinamento mais adeqüado.
Novamente, para tal coisa poder acontecer, o iniciado recebe cedo na vida um forte e definitivo chamamento interior, sendo levado a renunciar a tudo o que ele era, é e poderia ser de outra maneira, para desde então dedicar-se única e exclusivamente à busca da Verdade. Então ele trata de se instruir e logo passa a buscar ambientes no quais possa cultivar todas as virtudes do corpo, da alma e do espírito, como ashrams, mosteiros e comunidades, forjando o seu novo ser na busca da saúde, nos bons relacionamentos e nas práticas espirituais.
Tal despertar para a vocação não acontece realmente antes e nem depois da maioridade, como sugerem todas as biografias divinas clássicas, pois se fosse antes disto ele estaria imaturo e criaria problemas para os pais, e se fosse depois já seria tarde demais e ele teria outros compromissos. Assim, entre os 17 e os 19 anos de idade, quando tem início a emancipação da pessoa e a vida de responsabilidade, este chamamento interno ocorre e se consolida, dando início a todo um “romance da Alma” que perdurará por mais de uma década, até amadurecer plenamente. É graças a isto, que os frutos devidos também podem ser colhidos na hora certa, a partir da já citada grande “prova da iluminação” na quarta iniciação, que acontece na primeira “revolução de Saturno” em torno aos 29 anos de idade.
Na verdade, a própria “Escola dos Avatares” é altamente informal e autodidata, identificando-se na prática com a Grande Universidade da Vida... Enquanto pode o candidato a mestre se vale das escolas espirituais terrenas, que naturalmente sempre oferecem limitações para alguém com uma aspiração ardente e ilimitada como ele, que tem toda a pressa de evoluir. Daí ele ficar atento ao mestre interno e também às escolas novas que muitas vezes trazem ensinamentos avançados e novas revelações aos quais raros tem capacidade de realmente entender e de praticar, mas ele sim compreende intuitivamente e pratica com toda a naturalidade.
Tampouco acontece este tipo de demanda interna para pessoas com situações de vida extremadas, de carência ou de excesso, ou seja, onde de um lado não possa contar com algum recurso necessário para se manter e deixando a família em más condições por causa de suas renúncias, e por outro lado onde as riquezas sejam demasiadas fazendo das pressões interna e exterior algo excessivo como para permitir seguir a Senda. Por isto, quando as lendas dizem que o messias ou o Buda era um príncipe, na verdade está falando de uma família de classe média alta, como num São Francisco de Assis. Hoje se reconhece também que os recursos do reino de Lumbini dos pais de Sidarta Gautama, já não eram nada mais de excepcional.
Caberia ainda destacar a raridade dos avatares verdadeiros, apesar de tanta ilusão existente em torno do tema, que já levou alguns a dizer –não sem fundamento- que praticamente todas as escolas místicas consideram o seu fundador como um avatar... Tal coisa deriva da necessidade que as pessoas tem de “endeusar” alguém, até para exaltar o seu próprio caminho, e não raro da ilusão dos iniciados sobre a natureza e a dimensão do seu próprio trabalho, quiçá na ausência de maiores referências dado o vazio de cultura superior reinante.
Nos tempos de crise civilizatória e de renovação espiritual, todo este quadro naturalmente se agrava, originando a multiplicação dos “falsos profetas” de que falam as profecias de Jesus, em meio aos tantos mestres legítimos que também aparecem (muitos deles igualmente “avatarizados” artificialmente) para “preparar o caminho” ou apenas trabalhar a transição. A vinda dos rishis em torno dos avatares é da tradição oriental, e concorda com o grupo de apóstolos que cercam o messias na tradição ocidental.
Um candidato a avatar possui plena consciência das necessidades do seu tempo crítico e tudo faz par suprir as necessidades de cultivar e difundir uma nova consciência. O avatar também é muito mais que um guia comum, mas sim um Mestre-de-mestres capacitado a orientar aqueles que desejam ajudar o mundo a melhorar. Um avatar sabe perfeitamente que “uma andorinha não faz verão”, e ele aspira ardentemente por auxiliar o mundo e tudo está disposto a fazer por esta causa, entregando-se a Deus como instrumento para que o melhor possa ser realizado, para além das capacidades limitadas do homem.
A Lei dos Avatares afirma que Visnhu reencarna sempre que a Lei ou Dharma se perde, vindo assim para restaurá-la e renová-la. Tal coisa acontece naturalmente no final dos ciclos da humanidade, especialmente para as religiões populares, assim como para as civilizações, embora estas, por envolver um ciclo maior, contem também com uma intervenção “reformadora” na sua fase central, como ocorreu no caso do Buda em meados da raça-raiz ou civilização árya.
O Hinduísmo mantém um “registro” do número dos avatares de Vishnu, num total de 22 (com 10 Principais, os dasavatares), o que não difere de outras tradições como no Apocalipse que fala dos “24 anciãos coroados ante o trono”. Podemos dizer que este número está distribuído através de todo o Ano Cósmico de 26 mil anos, como facilmente se deduz da distância-de-tempo entre os dois últimos avatares conhecidos, que são Krishna e o Buda (separados segundo os Puranas por 2.600 anos entre si), ambos “enquadrados” entre os dasavatares associados especialmente à implantação e reforma de verdadeiros processos civilizatórios. Jesus também é reconhecido como Bodhisatwa, ou um pré-Buda/Avatar, que é a categoria dos 12 avatares secundários associados à regência das Eras zodiacais e à instituição das religiões populares.
Reza esta mesma tradição, que falta vir apenas um avatar, dentre os dasavatares ou mesmo dentre todos as 22 encarnações de Vishnu. Se o ciclo dos dasavatares é de 2.600 anos segundo vimos, é chegada realmente a hora do Kalki Avatar, cuja apresentação muito se assemelha ao do Logos do cavalo branco do Apocalipse. Ao quais corresponde também o “aristocrático” Maitreya Buda esperado pelos budistas, cujos “registros cronológicos” acham-se todavia corrompidos, quando dizem que o próximo Buda virá somente cinco mil anos após Gautama, coisa que não merece crédito por se tratar de afirmação isolada, sem origem certa e sem ninguém para sustentá-la com verdadeiro conhecimento-de-causa.
Dentre os principais ensinamentos dos avatares está o Pramantha, os cânones raciais e espirituais para uma época do mundo, também chamados de Lei espiritual ou Dharma-raiz. As instituições existem e foram criadas pelos mestres, unicamente para dar vazão a esta meta de evolução coletiva, sempre em progresso na Terra.
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Links úteis
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sexta-feira, 7 de setembro de 2012

O tempo de Maitreya

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Existe certa controvérsia acerca das verdadeiras datas sobre a chegada do Buda Maitreya, em função daquilo que afirmam as tradições budistas sobre Maitreya vir somente cinco mil anos após Gautama -coisa esta que representa, já à primeira vista, um lapso excessivo para o fluxo contínuo dos avatares.

Na acepção do Hinduísmo, por exemplo, nunca se passa mais do que uma Era astrológica (ou 2.160 anos) entre estas Vindas, que tem a missão de abrir tais Eras e também as raças-raízes. Foi assim com os dois últimos avatares de Vishnu, que foram Krisnha e Gautama Buda, havendo um lapso de 2,6 mil anos entre si. Por regra, não chega a haver um espaço tão largo entre as encarnações divinas, que são de diversas categorias. A categoria de “Buda” representa, com efeito, mais que um “avatar comum”, e na verdade corresponde a certo tipo de avatar, que seriam aqueles dez (chamados dasavatares) selecionados como principais, dentre os 22 avatares de Vishnu.

Ora, Krisnha, Gautama e Kalki (Maitreya), estão realmente incluídos entre estes dez avatares principais, de modo que o período de tempo a haver entre Gautama e Kalki, apenas poderia ser idêntico àquele havido entre Krisnha e Gautama!

Estes Budas também correspondem por vezes aos Manus que fundam as raças-raízes, porém de uma forma alternada. Apenas os Budas positivos ou “ativos” são Manus, como Krishna e Maitreya, coisa que transparece nas suas representações iconográficas e/ou nos registros de suas missões, mitos e epopéias.

Já Gautama é um Buda passivo, contemplativo, com missão de reformar e adaptar um dharma solar original que, chegado nesta altura, se acha cristalizado na forma ou na formalidade. A tarefa destes Budas lunares, é fazer a humanidade se voltar uma vez mais para o interior, a fim de que quando chegue o momento de retornar ao mundo um novo Buda solar, seja possível uma nova síntese universalista e a reunificação do espiritual e do material ou a reconciliação da forma e da essência, para que tudo retorne à Unidade original…


É sabido que muitas tradições confluem ou concordam na iconografia do avatar/profeta futuro, e esta atitude de guerreiro espiritual ornado pela espada do Verbo ou da razão superior (Logos), também corresponde em traços gerais à figura de Maitreya, cujo paraíso Tushita possui ademais muitas correspondências com o paraíso hindu (Vaikuntha) e cristão (Nova Jerusalém)

Assim, a primeira coisa a ser dita a este respeito, é que NÃO EXISTE NO BUDISMO UM SISTEMA CRONOLÓGICO REALMENTE ORGANIZADO para ser oferecido, capaz de sustentar certas afirmações avulsas e eventuais que se costuma apresentar…

É bem conhecido dos historiadores, o famoso “exagero oriental” com os números. Em parte, este costume advém de um conhecimento profundo daquelas tradições de sabedoria, acerca das realidades do universo.

Não obstante, o fato é que estamos tratando com isto de ciência, e os Antigos muitas vezes apelavam mais para a Analogia do que para a Lógica direta. Há ciência até para legitimar a própria intuição, que passa pelos esforços posteriores de corroboração e pelo cotejamento com outras informações e com os fatos em si, de modo que nem sempre as coisas são feitas com exatidão.

Os místicos, em especial, possuem uma predileção pela hipérbole e pelo paroxismo, porque isto convém à expansão da consciência que eles têm em mente. Por esta razão, não raro travestem a ciência pelo mito, a fim de melhor atingir a mentalidade popular, a qual nem costuma fazer questão da precisão científica, talvez até pelo contrário, uma vez que, em termos espirituais, a crença é realmente o seu meio…

Uma transmissão de informações, mesmo quando saída “pura” de sua fonte, está sujeita à deformação e à reinterpretação. Às vezes uma mudança aqui, pode trazer resultados ali.

Em muitas culturas se aguarda hoje a chegada de um messias, um buda, um cristo. As datas e as expectativas são necessariamente únicas, porque o tempo da evolução desta humanidade está encerrando e se aguarda apenas mais um Advento para fechar este ciclo cósmico médio ou quaternário, responsável pela evolução da espécie humano-humana ou o homo sapiens. O Hinduísmo é explícito a este respeito, e outras tradições o fazem de forma sugestiva ao tratar do “fim dos tempos” de maneira ampla.


De modo que o tempo de Maitreya é chegado. As visões de místicos arrebatados não era ilusão. Muitos grandes sábios têm profetizado este dia.

Os teósofos disseram que Maitreya virá na sétima sub-raça árya, que é a sul-americana. Bem entendida, esta raça se extingue em 2012, fim de um ciclo racial de cinco mil anos (com sete sub-raças de 700 anos), e também término do Kali Yuga racial. A tradição afirma que o Kalki Avatar virá para encerrar o Kali Yuga, e na verdade é o mesmo que deveria ser dito de Krishrna, que veio num momento análogo de renovação racial, e não que ele veio abrir um Kali Yuga como se costuma dizer.

Na esteira do movimento teosófico, que tentou projetar um messias para o mundo, grandes esoteristas e profetisas anunciaram a vinda de Maitreya ou do Cristo. Merece destaque os nomes de Helena Roerich e de Alice A. Bailey. Esta última comunicou haver um Plano de preparação da humanidade para a Nova Era, a ser encerrado na virada do milênio com a chegada dos Mestres, com destaque para o Cristo.

Se o ano 2 mil não chegou a representar algo definitivo neste sentido, é certo que o 2012 tratará de fazê-lo, por ser uma data vinculada ao próprio Hinduísmo (embora de origem maia-nahua) e advir de uma grande tradição de sabedoria, tratando da transição das raças-raizes. É na verdade a única grande data profetizada da Humanidade, e provém de uma cultura que possuía um domínio único dos ciclos da humanidade.


Da obra "As Luzes do Pramantha", LAWS, Ed. Agartha, AP

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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Os Mistérios da Outra Margem


Os “Mistérios da Outra Margem”, representam aquele universo cultural que existe para além do marco da iluminação, tratando do mundo que começa no Caminho de Retorno, envolvendo também as grandes sínteses intelectuais e as mateses, propostas ou praxis cósmicas baseadas no “conhecimento total” dos ciclos e das energias.

Naturalmente, este quadro tange especialmente aos “deuses”, ou aos mestres de hierarquia maiores, assim como aos patriarcas e aos profetas, que inspiram religiões e povoam os mitos e as lendas mais antigas das nações.

No entanto, também abrange indiretamente uma parte importante da evolução humana, na medida em que as Idades de Ouro e de Prata das Civilizações se acham igualmente influenciadas por estas energias, sendo consideradas aquelas épocas em que “os deuses andavam entre os homens”. Com isto, estas Idades terminam por se assemelhar em parte com os feitos das raças olímpicas, as quais recomeçam em certo sentido agora em 2012, como prescrevem as profecias maias acerca do “retorno dos deuses planetários” (a manifestação da Hierarquia dos Chohans, os Mestres de Raios) na chegada do Sexto Mundo. Se trata também da liberação da iluminação para o Centro da Humanidade, donde a atualidade desta matéria.

Existem períodos da evolução humana, nos quais as hierarquias superiores alcançam conviver com a humanidade com relativa fluência. É esta proximidade que permite a edificação das grandes Idades do Mundo, ou as Idades de Ouro e de Prata, que são consideradas cronologicamente maiores que as restantes, dentro de calendários mundiais como o do Manvantara (o “Dia de Brahma”), à parte toda a superioridade interna que detém enquanto equilíbrio de valores. Por isto, para alcançar a Outra Margem do Rio do Tempo, surge agora a revelação do Dharma de Maitreya, o Buda aguardado, voltado para a conquista do equilíbrio universal em todas as dimensões da vida (ver “Tushita – O Reino da Felicidade”, de Luís A. W. Salvi, IBRASA, SP).

Inclusa neste calendário, existe uma contraparte misteriosa chamada Pralaya (a “Noite de Brahma”), a respeito da qual são exíguas as informações. Contudo, sabemos que cada período corresponde à metade do Ano cósmico de 26 mil anos. O Manvantara ocupa os seis signos-Eras que vão de Câncer (2º Raio) a Aquário (7º Raio), e o Pralaya ocupa os seis signos-Eras que vão de Capricórnio (7º Raio) a Leão (1º Raio). Assim, vemos através dos Raios envolvidos que existe uma manifestação de energias no Manvantara (Raios de 1 a 7) e uma Reabsorção no Pralaya (Raios de 7 a 1).

Ora, os primeiros signos do Pralaya são Capricórnio e Sagitário, regidos por Cronos e Zeus, respectivamente, o que nos fornece os dois grandes regentes do Olimpo, no ciclo dos deuses e no ciclo dos titãs, servindo de base para as chamadas Raças Olímpicas. Depois chega o tempo de Hades, o deus dos infernos associado à Era de Escorpião, e sempre mais ou menos ligado a Marte, o deus da Guerra, que tradicionalmente rege este signo.

Antes de tudo isto, acontece a Criação divina, sob Uranos e Gaia, remetendo pois à Era de Aquário, esta à qual o mundo hoje retorna, prenunciando todas estas coisas além-do-humano. A iluminação é uma realidade que alcança a Hierarquia no ciclo atlante (em Câncer), e chega à Humanidade no ciclo americano (em Aquário), ou seja, duas raças após, que é a diferença de graus entre ambos os centros (aqui jaz o mistério das duas raças ocultas). Assim, a partir dali, a imortalidade se torna uma possibilidade humana e uma meta universal.

Assim, o trânsito para a Outra Margem da Vida, que é a experiência quântica do mundo luminoso e fluído, capaz de avançar sobre as próprias fronteiras da morte, não é coisa que se faça horizontalmente ou apenas através de medidas humanas, porque demanda a presença das forças superiores. Aquele que se aventura neste mundo, arrisca-se temerariamente numa jornada perigosa, porque nele o homem apenas pode transitar seguramente quando acompanhado de mensageiros da luz. Não obstante se tratar de uma experiência essencial, porque ensina sobre as leis maiores da vida e os caminhos da evolução do homem, às vezes para além da sua própria condição.
A frase de Jesus "Passemos para a outra margem", é comumente citada pelos pregadores, pois o convite envolve suas provações. Citemos o episódio:

“E, naquele dia, sendo já tarde, disse-lhes: Passemos para a outra margem. E eles, deixando a multidão, o levaram consigo, assim como estava, no barco; e havia também com ele outros barquinhos. E levantou-se grande temporal de vento, e subiam as ondas por cima do barco, de maneira que já se enchia. E ele estava na popa, dormindo sobre uma almofada, e despertaram-no, dizendo-lhe: Mestre, não se te dá que pereçamos?

“E ele, despertando, repreendeu o vento, e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou, e houve grande bonança. E disse-lhes: Por que sois tão tímidos? Ainda não tendes fé? E sentiram um grande temor, e diziam uns aos outros: Mas quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Mc 4, 35-41)

Jesus tinha poder sobre os Elementos, porque ele era um detentor da Quintessência, um Mestre sobre as forças deste mundo, portanto. Naturalmente, o episódio reflete a travessia a sêco do povo em êxodo pelo Mar Vermelho, dirigida por Moisés.

Esta “Outra Margem do Rio” tem relação, portanto, com os Mistérios Maiores, com os mitos vivos, com as grandes lendas e com as virtudes do heroísmo e da santidade. A grandeza é, naturalmente, o universo destas realizações. O coletivo, o universal, o cósmico... enfim, o espírito que norteia a mente dos grandes seres. Os homens herdam por associação este espírito, de início com legitimidade porque atuam a serviço dos deuses ou sob a sua orientação. Porém, na medida em que os Centros se afastam e as Idades do Mundo decaem, mais e mais este espírito se polui e perde legitimidade, até restar somente uma patologia megalômana que leva à criação de impérios materialistas. Contudo, alguns povos ainda têm a sabedoria de reverter o curso das coisas, e renunciar à civilização enquanto ainda é tempo, porque uma civilização sem alma é muito pior do que a volta às selvas.

São as épocas que forjam os mitos e as epopéias. Os deuses às vezes parecem humanos porque eles também têm algo de humanos, e terminam envolvidos com as coisas dos homens. Mas as aparentes “peripécias” dos deuses não os tornam menos divinos e nem menos imortais, porque os iluminados não podem perder a sua eternidade, e dificilmente eles caem de fato.

Mas as ações dos deuses jazem num plano maior e estão sujeitas a outras leis, que são as próprias Leis da Ascensão, na qual mais vale o bem comum do que o bem individual, existindo destarte uma ampla renúncia àquilo que é particular, mesmo na esfera da felicidade divina, como sucede no voto do Bodhisatwa.

Por isto os reis, que são aspirantes à iluminação, também costumam ter atitudes sistemáticas, que colocam o interesse coletivo acima do bem pessoal. Quando a meta ainda é a iluminação, os homens também podem se parecer com deuses, na sua busca pela consciência maior. Pois isto, as esferas muitas vezes se confundem na aparência.

Sabemos que também existem os semi-deuses, como foram Perseu e Hércules, que seriam justamente aquela esfera existente entre a divina (que é a dos avatares) e a humana, representada através do Centro da Hierarquia. Nos mitos, estes semi-deuses nascem justamente da intimidade entre os deuses e os humanos, por vezes apresentada em termos de infidelidade conjugal, coisa esta que pode não passar de simbologia. Os conflitos entre deuses e homens pertencem, da mesma forma, mais à esfera dos mitos, e teria relação com ações por vezes abusivas de cleros organizados.



* Da obra “Vivendo o Tempo das Profecias”, LAWS, Ed. Agartha

domingo, 1 de agosto de 2010

Aquele que Olha por Todos


“E se ninguém vos receber, nem escutar as vossas palavras, saindo daquela
casa ou cidade, sacudi o pó de vossos pés.” – Jesus. (Mateus, 10:14)

A salvação das pessoas na Terra é uma coisa tão rara e difícil, que é título do candidato a Buda por excelência é “Aquele que Olha por Todos” ou “Aquele que Olha para Baixo”, Avalokiteshwara em sânscrito, Chenrezig no tibetano. Tal coisa denota a situação da humanidade, que deve contar com a intervenção divina para alcançar a sua salvação.
Nem é preciso dizer que muitos mestres –associados ou não a avatares- têm ajudado sempre muita gente, e muito além do que imagina.
Os Mestres e Avatares são os Amigos da Humanidade, são eles que fazem as pontes dentro do sectarismo social (incluindo o místico-elitista), porque olham e vivem adiante. São “aqueles que olham para baixo”, os Bodhisatwas compassivos, como um São Francisco ou um Jesus.
É muita presunção e pretensão, quando querem “revolucionar” assuntos de tal envergadura e de conseqüências para tanta gente, especialmente vindo de quem pretende falar em nome da própria espiritualidade, indo todavia contra toda a Tradição universal. Tais “opiniões” são inválidas e inócuas.
É uma covardia monstruosa atacar os mestres que só trazem luz, não são uma força física mas apenas mora e intelectual. O ser humano que pretende monopolizar todos os poderes da Terra, carrega a própria imagem do demônio, está como obsedado, muitas vezes sem nem o saber. É preciso haver uma colaboração entre os Centros: divindade, hierarquia e humanidade. É a falta destes elos que leva à humanidade à perdição e será o seu resgate que a levará à sua redenção. Não estamos aqui -e nem temos tempo- para brincadeiras ou experimentos, não mais do que já tem sido feito. O tempo do homem esta acabando, embora isto ele vá entender na prática, não por decreto algum, ao colher os frutos do que ele tem semeado.
“Aquele que dá a vida” a todos, alimenta o mundo com a sua energia e fornece os caminhos da iluminação a quem está preparado. A expressão “eu sou a luz do mundo”, é muito mais profunda do que se imagina.


Da obra “Maitreya – a Luz do Novo Mundo”, LAWS, Ed. Agartha

sábado, 3 de julho de 2010

O último Mensageiro


Assim, na idade de Kali (ferro) a decadência prosseguirá sem detença, até que a raça humana se aproxime do seu aniquilamento. Quando o fim da idade de Kali estiver perto, descerá sobre a Terra uma parte daquele Ser Divino que existe por sua própria natureza espiritual (Kalki Avatar); Ele restabelecerá a justiça sobre a Terra e as mentes que viverem até o fim da Kali Yuga serão despertadas e serão tão diáfanas como o cristal. Os homens assim transformados serão como sementes do verdadeiro homem.” (Puranas)

Tal como acontece com relação a muitos outros assuntos da espiritualidade, a Tradição hindu é, provavelmente, aquela que trata com maior desenvoltura o tema das encarnações divinas cíclicas, ou seja: os avatares.

Outras Tradições também aportam contribuições de peso, embora em aspectos mais específicos da avatarização, como são salvação, intervenção, divindade, intermediação, modelo, etc.

Não existem dúvidas de que o panteão ou linhagem divina hindu, enumere os adventos divinos sucedidos ao longo do atual Ano Cósmico, o Grande Ano de Platão.
Das 22 encarnações cíclicas de Vishnu, há 12 relacionadas às Eras zodiacais (coisa esta, que a representação simbólica de alguns avatares deixa entrever), e 10 relacionadas às raças-raízes. Ambos os grupos se subdividem em etapas alternadas de dharma positivo de integração, e dharma negativo de interiorização (ver adiante).

E eis que o Hinduísmo vem anunciando a chegada da última encarnação de Vishnu, que é o Cristo cósmico, o 2º Logos, responsável pela preservação ou manutenção da luz, os grandes “reativadores do movimento da roda do dharma” (chakravartin), os administradores cósmicos, enfim, da Verdade universal para cada ronda mundial de evolução.

Para se ter uma idéia da extensão do trabalho destes seres, seria necessário no mínimo investigar tudo aquilo que já se afirmou a seu respeito, e ainda mais.
Citemos então alguns pontos capitais, relacionados às missões avatáricas:
- Resgate das Verdades eternas perdidas, acerca da unidade cósmica.
- Anúncio dos Novos Mistérios e suas instituições.

- Infusão de novas energias espirituais no planeta em diversos planos.
- Estabelecimento da transmissão dos Altos Saberes Tradicionais.
- Concessão de modelos e paradigmas para a evolução humana.

Considerando aquilo tudo que se observa hoje, parece não haver dúvida que a humanidade ainda tem muito a aprender. Porém, o aprendizado da verdade não é coisa simples de alcançar, afinal existem muitas dimensões a se tratar, e que ainda devem ser integradas, havendo em meio a tudo isto o poder do Mal Organizado para confundir, iludir, desviar e tentar separar as coisas.

Esta última encarnação, representa a derradeira oportunidade para a humanidade encontrar os seus rumos e eixo. Não é pouca coisa que ele vem trazer: a totalidade humana, preparando o caminho planetário para a superação da condição humana.

O aristocrático Kalki-Maitreya

Contrastando com a iconografia budista, aceita também pelo hinduísmo, o Kalki Avatar não se apresenta como um asceta, mas antes como um guerreiro, um justiceiro ou um estrategista.

Esta característica aristocrática se estende à celebrada figura de Maitreya, o Buda esperado, com seus atavios de kshatrya (a casta nobre) e postura liberal, ativa e positiva.

Obviamente, não se trata de um homem de casta: a representação avatárica apenas emprega um símbolo. Mesmo no caso de Gautama, ele não era um simples asceta, sendo antes levado a uma via-de-equilíbrio que, não obstante, anda pode figurar a idéia de um monge. Esta foi a base de conduta, para que o avatar alcançasse o conhecimento universal de sua época, muito diferente, todavia, da época positiva de Maitreya.

Tal coisa não deixa de lembrar, isto sim, a figura do Manu, a missão de organização racial, demandando atitudes sociais de amplo alcance. A avatarização do deus criador, Brahma, assume um papel especial durante o manvantara, o ciclo de criação, palavre que também significa “entre dois manus”.

Os Manus seguiriam, na tradição brahmanica, uma via-de-ação paralela à dos avatares. Não obstante, esta atitude guerreira não seria exatamente inédita nos relatos vaishnavas, senão talvez pelo seu alcance, já que vários avatares aparentemente encetaram guerras (de dharma, resgate, etc.), inclusive figuras recentes como Rama e Krishna, em boa parte por causa da natureza da raça árya na qual pontificaram, sobretudo Krishna.

Abrahão e Moisés foram típicas figuras manúsicas, e mesmo o Rei Melquisedec, declarado por São Paulo uma prefiguração do messias, não deixa de representar este ideal aristocrático áryo. Vale lembrar, não obstante, que o momento era particularmente propício para isto, porque incidia no começo da Era de Áries (que é um signo guerreiro) e também na abertura de uma Idade de Prata (aristocrática). Se enquadraram melhor, todavia, dentro de uma missão sub-racial.

Muito embora Gautama também tenha surgido nesta raça, e seja relacionado à casta kshatrya na sua origem (havendo sido inclusive um príncipe), renuncia a tudo isto em nome de uma busca pelo sentido maior da vida. Parece próprio, inclusive, que a tradição budista represente os seus Budas como sábios, contudo Maitreya, mesmo lhe sendo atribuída imensa sabedoria, recebe uma imagem diferenciada.

Jesus Cristo tampouco manifestou inclinações guerreiras, muito antes pelo contrário, num ambiente onde inclusive se aguardava um libertador e até um messias político. Curiosamente, soa difícil enquadrar a missão de Jesus no inventário avatárico vaishnava, já que depois de Gautama resta apenas um avatar. Apesar de Jesus ter aparecido no começo de uma era astrológica, como de resto Abrahão e Melquisedec também fizeram. Tal coisa sugere a necessidade de se revisar certos critérios vaishnavas.

Não obstante, a coisa já muda um pouco de figura na seqüência, com a missão de Maomé. E é natural que, à luz de todas estas informações, um muçulmano se sinta inclinado a ver em seu profeta a imagem do Kalki Avatar. De fato, em nossos tempos históricos, se ignora um profeta declarado que tenha tido tão claramente um papel guerreiro como teve Maomé.

Contudo, quando Maomé declarou ser o último profeta, ele se referia ao encerramento de um ciclo menor, a chamada “Era solar” das raças-raízes, com 5 mil anos de extensão. Ainda que a importância do seu trabalho seja notável, há muitas razões pelas quais não seria possível enquadrá-lo entre os avatares, entre elas a questão da cronologia, mas também a geografia, pois a chegada do último messias é aguardada já no Novo Mundo. Nada impede que a missão de Maomé tenha sido um prenúncio da de Maitreya, muito embora as profecias sugiram aqui atitudes mais amplas em termos espirituais.

As missões alternadas

Em nossas formulações sobre estes ciclo-avatares, temos usado como paradigmas os protótipos do Manu e do Buda (Gautama), para ilustrar a polaridade que caracteriza as atuações dos avatares cíclicos dentro das raças. A tradição brahmanica, talvez já na exegese teosófica, também fala de dois tipos de missões: o “manu-semente” e o “manu-raiz”.

Cabe dividir a chamada Era solar (que é o ciclo racial) de 5 mil anos em duas metades principais, uma “solar” ou positiva, e outra “lunar” ou negativa. Considerando ainda que este ciclo detém uma estrutura de Idades milenares, na sua primeira metade incide as Idades de Ouro e de Prata, e na segunda metade incide as Idades de Bronze e de Ferro.

A metade solar, comporta uma estrutura unificada, onde a matéria e o espírito alcançam se harmonizar. Por isto, este é o grande momento de organizar as civilizações, de implantar novas instituições ou fazer avançar as antigas, havendo aqui um forte e legítimo consórcio entre o poder e a espiritualidade, ainda que idealmente, durante toda a evolução humana, a verdadeira fonte da sabedoria resida antes nas forças supra-históricas, como é o Governo Oculto do Mundo, a Loja Branca, ou as linhagens de profetas que inspiram e orientam os homens de boa-vontade a fazer a sua parte na construção de um mundo melhor. Esta primeira etapa, seria aquela mais associada à missão dos Manus, e aqui entra a idéia do “manu-raiz” na implantação de uma Raça-raiz. Corresponderia ainda à categoria Dhyani ou “Meditativa” dos Budas, significando com isto o poder mandálico de organizar as raças ou as regiões do planeta, como foram Krishna e o Manu, assim como os profetas sub-raciais deste hemi-ciclo, onde se fomenta um dharma de Ordem e de “hierarquismo” unificador.

Já na segunda metade, ocorre o fracionamento, o peso da materialidade se torna excessivo, e o espírito deve buscar seguir um curso paralelo sem “interferir” demais nas coisas materiais. Aqui surge até a tentativa de engessar o Pontificado Universal, que é uma missão dos Adeptos, dentro de correntes históricas, de modo que, neste momento, a forma externa tende a se cristalizar e a perder legitimidade. Então é melhor separar as coisas para não comprometer as verdades espirituais, reformando as antigas instituições para desvincular cada vez mais o poder da espiritualidade. Esta segunda etapa, seria aquela mais associada à missão dos Budas, entrando a idéia do “manu-semente”, na preparação da futura Raça-raiz. E também corresponderia à categoria Manushi ou “Humanos” dos Budas, da qual se diz ter sido Gautama, na qual se fomenta um dharma de maior “humanismo” e o dualismo.

Esta questão pode ser comparada com a vida humana, cujas maiores conquistas se dão até a sua metade (entre os 36 e os 42 anos, supostamente), muito embora se possa seguir aperfeiçoado as coisas até o final da vida, porém mais a título de “administração” do que propriamente de esforços de criação. Este segunda metade da vida, estaria de certo modo dedicada ao futuro, que é o enigma da morte e o risco da extinção –até das próprias criações-, envolvendo daí o esforço de perpetuação daquilo que se criou, incluindo os filhos, que são uma espécie de continuação da nossa própria vida.

Ao mesmo tempo, se deve passar a cuidar mais da saúde, em nome manutenção da vida, e até mesmo a desenvolver reflexões sobre os mistérios do além e o destino da alma. Enfim, se a exteriorização criativa é pujante na juventude, a interiorização é inevitável na velhice, como é também no inverno do ano e nas idades menores da Terra, consideradas nos mitos como a “velhice do mundo”.

Os signos do novo Avatar

O Buda aguardado, Maitreya, se enquadra seguramente na anterior categoria Dhyani dos Budas, mais exatamente, no papel do Buda Amithaba ou Amida, sempre relacionado ao ocidente e à família Lótus (ou ao amor e à compaixão) e ao Elemento Fogo, o quarto elemento da iluminação ativa.

Podemos entender estas energias de várias formas. O Lótus, que vincula aqui Maitreya a Jesus numa continuidade histórica que permite a idéia de unidade e de evolução missional (cultuada especialmente no Cristianismo), se deve ao Sexto raio de Idealismo-Devoção que surge através de Júpiter. A Era de Peixes foi a sexta Era zodiacal do manvantara, e a nova raça-raiz também será a sexta raça como é sabido.

Quanto ao Quarto Elemento, se deve ao fato de se tratar da quarta raça humana, ou a quarta humanidade “iniciada” (surgida após a chegada de Shambala na época lemuriana), considerando que as duas raças originais estavam sob uma outra economia de energias. O Quarto Elemento culmina e completa a evolução humana, que é um reino quaternário. O umbral quaternário é severo, associado à cruz espiritual, e demanda uma criteriosa recapitulação energética da evolução humana para se poder ultrapassar, porque está relacionada às provas da morte, da iluminação e da ressurreição.

O simbolismo astrológico também contempla estas realidades. O Aguador que verte as águas da vida sobre a Terra, tem o seu jarro sagrado que aparece sempre na iconografia de Maitreya. É o mesmo Lótus do coração, sendo o coração o quarto centro, no qual se ativa o Elemento Fogo, base da iluminação “verdadeira”.

De onde ele virá

O Vishnu Purana afirma que Kalki nascerá na cidade de Shambala. Esta é uma palavra que se estendeu ao budismo, sendo de “uso comum” na Escola Vajrayana, atualmente radicada no Tibet e no Japão. Alguns sábios budistas como Atisha, afirmam ter extraído os seus saberes deste centro. Fala-se neste caso, especialmente na “Shambala setentrional”.

Com o passar do tempo, Shambala adquiriu o sentido de pólo primordial, relacionada também a Sanat Kumara, uma espécie avatar primordial (como o Adi Buda) que adquire em alguns contextos o papel de deidade da Terra. Assim, o primeiro e o último avatar, terminam por ser identificar em alguns aspectos, ainda que simbólicos. Consta também Sanat Kumara chegou a este mundo com quatro irmãos, futuros regentes das raças que viriam. Temos aqui, portanto, um êmulo da mandala dos Dhyani budas do Budismo.

Na verdade, o mito de Shambala, com esse ou aquele nome, seria comum a todos os avatares. A rigor, todos os Mensageiros estão relacionados a duas cidades sagradas, a do nascimento e a da missão. Por exemplo: Krishna (Dwarika e Vrindavam), Buda (Lumbini e Benares), Jesus (Belém e Jerusalém) e Maomé (Medida e Meca).
A cidade natal dos profetas segue um padrão universal, relacionado ao centro solar do hemisfério, ou seja: ao paralelo 30. Este seria, portanto, um dos requisitos divinos, e um dos “sinais” dos avatares.

Tal coisa também está relacionada ao vastu mandala racial, a organização do país-de-dharma que Krishna instou seu discípulo Arjuna a organizar, através da batalha sagrada de Kurukshetra. A Batalha de Rama também adquiriu um sentido semelhante, na medida em que Sita condicionou a própria libertação à destruição do reino maléfico de Ravana.

A simbologia da cidade está relacionada ao dharma, a lei espiritual. Parece não ser casual que oitavo avatar maior, Krishna, tenha nascido na “Cidade das Oito Portas” de Dwarika. As descrições do paraíso do último avatar, seja a Vaikuntha de Vishnu (Kalki), a Tushita do Buda (Matreya) ou a Jerusalém celestial do Cristo retornado, apresenta sempre doze portas. Embora Kalki seja o décimo grande avatar, acompanha o tema um sentido de completação zodiacal, já que se trata do encerrador do ciclo cósmico. Aqui o décimo avatar da divisão maior, corresponde também ao décimo-segundo da divisão menor.

Pois vale notar aqui, e para concluir o nosso tema, que existem realmente missões conjuntas ou acumuladas, quando acontece de dois ou mais ciclos começarem juntos ou aproximados. Este seria, aliás, um outro sentido do quádruple-Kumara, porque lá nos Primórdios cósmicos haveria o alinhamento entre ronda, ashram, raça e era. Os avatares duplos como Vaikuntha (que também parece estar relacionado a Kalki), misto de Leão e Javali, velariam uma conotação desta natureza.

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Da obra “Maitreya – a Luz do Novo Mundo”, LAWS, IBRASA.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

O Caminho-do-Meio e o meio-de-Caminho


O Caminho-do-Meio é uma realidade própria da consumação espiritual, ao passo que o meio-do-Caminho é, naturalmente, apenas uma condição preliminar.
Não é coisa simples trilhar o Caminho-do-Meio, ele é estreito e perigoso, sendo chamado por isto de “o fio-de-navalha”. Na sua acepção mais elevada, este Caminho-de-equilíbrio se relaciona aos Mistérios da Outra Margem do dharma, e também ao Sendeiro de Retorno dos mestres.
De forma consolidada, ele pertence à esfera da iluminação, mas também do iniciado, e até o discípulo tem vislumbres de sua natureza. A “Tábua de Esmeraldas” de Hermes Trismegisto, busca ensinar sobre este Mistério, especialmente onde diz:
“Sobe da terra para o Céu e desce novamente à Terra e recolhe a força das coisas superiores e inferiores.
“Desse modo obterás a glória do mundo.
“E se afastarão de ti todas as trevas.
“Nisso consiste a força maior de todo poder.”
Assim, é preciso passar pela experiência dos opostos ou dos extremos, antes de alcançar o equilíbrio libertador. E isto é muito diferente da tentativa de permanecer “a meio-termo” nas coisas desde o início, coisa que serve apenas como o... “meio-de-Caminho”.
Vale aqui contar, pois, com a Arte da Experiência –ou com o discernimento, a primeira virtude do iogue-, na certeza de que, mesmo nesta busca inicial dos “extremos”, preserva-se o equilíbrio e o bom-senso. Existe uma cota de erros a ser tolerada aqui, para que alguém se mantenha na senda.
E há muitas razões para que o mais comum sejam as “mensagens do meio-do-Caminho”, e nem sempre desencaminhadoras. Vejamos estes dois importantes fatores históricos predisponentes:
1. A Humanidade ainda está a caminho da sua consumação evolutiva.
2. A sociedade não tem vivido hoje um ciclo interno favorável às sínteses.
Assim, no seu geral a humanidade ainda é “peregrina” -sendo esta, na verdade, uma condição inerente à ela-, rumando hoje para a sua própria superação como espécie. A humanidade não alcançou ainda a sua meta evolutiva, pois o ser curso está em andamento, ainda que adentra agora na sua última “raça-raiz”, e na prática a Nova Era cobre tudo o que falta evoluir, porque ao seu final já emerge uma nova ronda mundial.
Ademais, mesmo em seus ciclos internos, como são as raças-raízes, as Idades atuais são negativas e fragmentárias, dificultando o entendimento das sínteses. Este tem sido o arco lunar da Era solar arya, aberto na época do Buda através de uma grande manifestação de Adeptos.
Assim, a mensagem do meio-do-Caminho pode chegar a ser bastante elevada. Basta dizer que Gautama e Jesus foram avatares desta ordem (avatares manushi ou humanistas), com seu ensinamentos mais voltados para a interiorização do homem do que para a organização superior das instituições. Esta colocação pode soar especulativa, afinal o aperfeiçoamento moral ajuda a depurar a sociedade. Porém, não estamos falando apenas de “ética” (ou da “sabedoria” no jargão Budismo), mas de todo um amplo corpo-de-experiências que se pode desenvolver sobre estas bases.
Este Caminho-do-Meio é vislumbrado pelos iniciados e experienciado pelos mestres. Ns profecias, diz respeito aos Mistérios da Consumação, ao Dharma do Buda Maitreya e à Resurreição do espírito –e não da “carme”- sob a volta do Cristo.
Nas suas raízes, o Budismo de Gautama é uma doutrina “mediana” porque objetiva o Vazio (Sunya), ao passo que um dharma “ativo” como o de Maitreya, parte dali para sustentar a Plenitude (Sarva). É verdade que o dharma de Gautama tem sofrido adaptações pontuais através dos séculos, por vezes sob a influência de doutrinas ancestrais de integração, reflexo inclusive da evolução dos tempos, preparando o terreno da síntese na medida em que se aproxima uma Nova Era positiva.
“A humanidade é uma ponte entre o menos-que homem e o mais-que-homem”, escreveu F. Nietzsche. E isto que ele descreve é a condição humana, que é uma passagem no sentido de ser coisa incerta e estreita, sujeita a oscilações, dualismos e conflitos -entre as coisas superiores e as coisas inferiores.
Dizer que esta situação é um Caminho-do-Meio, seria um equívoco semelhante ao acima denunciado, porque é, isto sim, o meio-do-Caminho da evolução planetária... Porém, esta situação está para mudar, com a consumação da evolução humana, da qual a nova Era é a sua etapa final e a grande ponta-de-lança da ascensão mundial.

Evolução política na Era lunar

A tendência “idealista” de toda uma época do mundo, frutificou positivamente nas mãos dos grandes filósofos que não “sucumbiram” de total à falácia anarquista e ao “Humanismo” linearizante do zeitgeist (“tendência de época”) mas, pelo contrário, entenderam a necessidade da ordem e da hierarquia como fundamento social. A profundidade destas visões deu margem a movimentos sociais fundamentalistas, através de mosteiros e de casernas que alicerçaram o Estado social de boa parte desta Era lunar, que é a seguda metade da raça (árya, neste caso), ou os últimos 2.600 anos iniciados com o Buda.
A Idade Média -“média” que também pode ser tanto equilíbrio quanto medianidade, Caminho-do-Meio ou meio-de-Caminho- foi mais “funcional”, portanto, por causa da organização social ancestral (“sociedades bárbaras”) ou inspirada nas grandes filosofias, do que propriamente por causa de qualquer discurso político moralizante, que sozinho apenas pode gerar uma filosofia eunuca. O Ocidente se inspirou mais em Platão/Pitágoras (política da santidade), e o Oriente o fez mais em Aristóteles (política da virtude), com suas influentes Escolas (Academia, Liceu), na medida em que se harmonizavam com as bases religiosas dos profetas, messias e avatares. O mesmo se pode dizer do “aristocrático” Confúcio e do “sapiencial” Lao Tsé na esfera da China, de modo que o espírito das “classes superiores” manteve a ordem social por quase toda toda esta Era lunar, dominada por certo “Humanismo” como costuma suceder, sob a inevitável ascensão da burguesia (Idade de Bronze; Budismo) e depois do proletariado (Idade de Ferro; Islamismo), dominantes como tendem a ser culturalmente, no hemi-ciclo lunar das raças.
Com o passar dos séculos e o começo da Era da globalização no século XVI, estas sociedades perderam o seu dinamismo, e apenas na Modernidade se começou a repensar as bases sociais humanas, através da Sociologia, termo fundado pelo filósofo francês Augusto Comte, o pai do Positivismo e da “Religião da Humanidade”. Estes foram os primeiros passos para a retomada da atividade social tática, tal como se observa na Grande Tradição dos Patriarcas estrategistas da Antiguidade. F. Hegel ainda finca pé no idealismo, mas recoloca bases para que K. Marx possa anunciar, com todas as letras, que a verdadeira política demanda ativismo social, em complemento à virtude dos líderes. “Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de diversas formas, cabe transformá-lo”, afirmou ele. Obviamente, tal coisa ressoa especialmente na juventude, cheia de vigor e sedenta de boas causas.
Neste quadro, surge contudo na era contemporânea, um J. Krishnamurti apenas para dar um “tempero” ainda mais anarquista a uma época de desconstrução, trazendo muitas vezes mais desorientação espiritual, do que efetiva ajuda à necessária reordenação social. Para quem fez as sínteses necessárias de tudo isto, não existem maiores problemas. Urge mais uma vez a sociedade pensar em termos estratégicos, isto é, de classes organizadas, sob pena de não haver força e coesão para inspirar um novo consenso capaz de transformar o mundo. “Espiritualistas do mundo: uní-vos! Porque é chegada a vossa hora.” Sim, os preceitos sociais dos filósofos podem ser adaptados para este momento de urgências, não cabe aguardar o caos porque é uma loteria que não merece ser apostada, e os sofrimentos serão inevitavelmente grandes demais.
“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”, disse um artista engajado. Afinal o Saber é um palavra da Nova Era, e certamente jorra em abundância da jarra de Maitreya como a boa Colheita das Idades. É o mesmo saber que brilha na espada do Kalki avatar e reaparece na boca do Cristo do Apocalipse, como o Verbo inflamado e criador.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Prenúncios da Outra Margem


O Buda ensinava que o dharma era como um barco que o buscador usava para chegar à “outra margem” da vida. A ilusão é como o rio –ou o “oceano do samsara”- que deve ser atravessado, e que o buscador da Verdade lucidamente identifica como ilusão lançando-se à aventura do desconhecido, tendo o “barco” do dharma como suporte e o Buda (ou seus arhats) como “piloto” experiente ou, senão apenas como instrutor da jornada pessoal.

Esta exposição do Buda sobre o dharma, por si só já chama a nossa atenção. Ao contrário de tantas “escolas” que apresentam as suas doutrinas como dogmas inarredáveis, o Buda queria que cada um chegasse à Verdade maior no nirvana, na qual já não há necessidade de dharmas, regras, leis...

Tal coisa soaria simpática aos anarquistas. Porém, também podemos estimar que, à luz desta realização, na qual samsara e nirvana inclusive se fundem se assim se quiser, outras leis se revelam, dentro de uma nova ordem de coisas.
Ora, sabidamente existem “opções” para o destino humano, especialmente daqueles que estão em evolução. Nisto, talvez os dois “destinos póstumos” mais em voga na Tradição Universal sejam a “busca do céu” e a “reencarnação”.

Ao contrário do que se pensa às vezes, sobretudo no Ocidente, as duas coisas não são incompatíveis. No Oriente se exercita muito bem todas as possibilidades das vidas futuras, não obstante haver também muita superstição.

Ao contrário do que prevê o pastiche espiritista, a Tradição Oriental estima que existem apenas duas razões para a reencarnação: a evolução espiritual e o serviço espiritual. Para o homem materialista ou “desalmado”, não há chances para a sobrevida da consciência. Não existe muita formalidade na vida essencial, porém, por princípio, se uma pessoa é ética, respeita o próximo e exerce a essência dos Mandamentos, então ela tem chances de “sobreviver”, porém mais provavelmente com ajuda da intervenção divina.

Este é um elemento que as tradições xamanistas não detém, e no qual o esoterismo como tal é filosoficamente débil, porém isto talvez até se justifique como caminho de evolução. Explicamos. Quando os mestres de C. Castañeda insistem na necessidade do poder interior para a sobrevida da consciência, em nenhum momento trazem à tona os valores das “religiões universais” que contemplam as pessoas comuns de um lado, e altas hierarquias redentoras de outro. Os iniciados estão, muitas vezes, mais ocupados em suas próprias buscas, e não raro nem existe abertura nas religiões populares para uma tentativa de fusão esotérica, tão dominadas elas estão pelo seu fundamentalismo.

Podemos tranquilamente afirmar, que a idéia da reencarnação nasceu dentro das Escolas Iniciáticas, visando sedimentar os elos evolutivos das linhagens de iniciados e sua perpetuação na Terra. Com o tempo, esta premissa se expandiu, graças à organização da religião, vindo a abarcar etnias e sub-raças inteiras.

Desde o ponto de vista histórico, o dharma de Gautama também tinha o seu “prazo de validade”. De forma rigorosa, este prazo era de 2600 anos, que é o ciclo de advento dos Budas e dos avatares desta categoria. Assim, o rio do samsara a ser atravessado também detinha esta extensão no tempo, culminando pois em nossos dias.

E aquilo que haveria ao cabo deste rio, é a outra margem do tempo, um tempo superior como o Kairós grego, ou mesmo o próprio Oceano do Nirvana... Ora, nesta etapa se revela um outro dharma, trazido pelo Buda Futuro, Maitreya, que já é um Buda ativo e positivo, e não passivo ou contemplativo como o seu predecessor. É um dharma superior que atende aos mistérios do nirvana ou, melhor ainda, à síntese nirvana-samsara, já que aqueles que almejam (e se capacitam) ao nirvana, estarão supostamente liberados da encarnação. Permanecem todos aqueles que necessitam ainda evoluir, ou que desejam servir à humanidade, ou mesmo ambas as coisas.

O dharma “positivo” de Maitreya, é o contraponto perfeito do dharma “negativo” de Gautama. À meta do Vazio (Sunya) deste, segue a meta da Plenitude (Sarva) daquele. Esta plenitude permite um equilíbrio e a harmonia, que se reflete cada vez menos pela negação. Por isto é que a Idade de Ouro preenche as instituições com nova vida e sentido maior, possibilitando um resgate da Civilização –naturalmente porque o contraponto disto tudo estará também sendo respeitado, em vida interior abundante.

Pois assim é que evolui a humanidade, dentro de uma dialética desta natureza, alternando um ciclo hierárquico de unidade, com outro anárquico de dualidades. O dharma positivo está relacionado aos Mistérios Maiores e ao Sendeiro de Retorno, quer dizer: à iluminação.
Eis que este tipo de dharma começa ali onde o outro termina: na iluminação! Assim, o estudo e a investigação dos Mistérios da Outra Margem, é que representam o grande tema do dharma “ativo”.

Estamos falando, pois, dos mistérios do nirvana e, é claro, daquilo que caracteriza o nirvana em escala cósmica, que é o pralaya. Nota-se quão grande é o silêncio ainda existente em torno de todos estes temas, especialmente no tocante à esfera maior -assim como no tocante a uma visão plena e realista do tema "iluminação". E é apenas natural que uma coisa conduza à outra, ou seja: o treinamento nirvânico da humanidade, conduzirá a seu tempo toda a Terra à “outra margem” do Rio do tempo cósmico.

Pontualmente falando, a Nova Era representa o “espaço” que temos para cumprir ainda esta tarefa. Corresponde à metade ativa da Nova Raça, os seus primeiros 2600 anos de evolução. A chegada do “Solstício cósmico” na Era de Capricórnio, demarcará então o final deste ciclo mundial ou manvantara, para dar lugar ao “misterioso” pralaya e à Ronda Futura, anunciando a ascensão da Terra.


Da obra "Dharma - a Canção da Vida", LAWS, Ed. Agrtha.